Da Orelha aos filhinhos

Terça, 08/12/09

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O caminho não parece ser o mais simples. O conflito entre ” quero” e ” não consigo” é devastador. Não é de uma hora para a outra que se alcança a misericórdia. Tanto é que esta palavra está em extinção em muitos seguimentos religiosos e completamente eliminada da linguagem do mundo. Muito se fala de tolerância, de convivência sustentável, de respeito. Mas tudo isso não faz a misericórdia aparecer.

Para se extrair a misericórdia é necessário uma cirurgia de parto. É um verdadeiro nascimento. Rompem-se tecidos, vasos. Acontece uma ruptura para a misericórdia possa nascer e se desenvolver. A misericórdia tem maios grau de exigência do que o perdão. ENquanto o perdão é uma atitude de quem ama, a misericórdia é a visão crua e desnudada da miseria que eu sou e que o outro é.

Naquele momento histórico de dramático do horto das oliveiras, quando Pedro decepou violentamente a orelha de um dos guardas, malco, a sua reação impulsiva denunciou o quanto ele tinha dentro de si. E como, mesmo convivendo com Jesus, é dificil colocar em prática tudo aquilo que o Mestre ensinara. Mas ele aprendeu. Alguns anos mais tarde, em sua carta, Pedro inicia lindas e celebres frases chamando os pecadore de ” filhinhos”.

Seria esta a reação de quem conheceu a misericórdia? Porque Pedro não descobriu isto com o Mestre ainda em “vida”? Porque esperou um tempo? Porque a demora? Porque a misericórdia é um processo de maturãção. Ela nasce, porém, deve ser aprendida, estudada e, antes de tudo, vivida, na carne.

Enquanto não ferir, não violentar, não decepcionar, não frustrar, não é misericórdia. Ainda é o ensaio.

Às vezes não dá tempo de execer a misericória com aqueles que mais amamos. Nossos pais, amigos, amores, morrem sem ter ao menos conhecido a misericórdia em nós. ESte é um mistério que não devemos ousar querer entender. Mas esta não é uma boa desculpa para não viver e exercer a misericórdia neste mundo.

E misericórdia não quer dizer ausência de justiça. Mas quer dizer ausência de justiça pelas próprias mãos. Como explicamos isso para um pai que teve sua filha vítima de estupro? Como falar isto para uma mãe que perdeu sua filha, vítima de um erro médico? Complicado. Difícil. Impossível dentro do contexto humano. Só a misericórdia tira a cortina dos olhos.

O curioso foi a reação de Jesus no episódio da orelha. ALém de discordar de Pedro, O Mestre ainda sarou o algóz diante dos olhares do Apóstolo. Que afronta, meu Deus. Que loucura esta defesa de um pilantra, de um ordinário, de um maconheiro, de uma prostituta.

Imagine o sentimento de Pedro diante de tamanha ” injustiça” do Mestre. Pedro deve ter se revoltado interiormente. Como nós, Pedro deve ter ficado bravo com a justiça por ter liberado alguém que o prejudicou. Contudo, lã na frente, o memso Pedro age igualzinho ao Seu Mestre. Teria relação entre aquilo que não entendemos na hora com a Graça que se manifestará em nós e atravs de nós? Acho que sim. “Não entender” é uma benção. É um ministério que está nascendo em cada um de nós.

A misericórdia sempre vai confundir nossa humanidade. Ela não é “normal”. Ela é “estranha” ás normalidades da carne.

A misericórdia é o Caminho para se trilhar; é a Verdade de se viver; é a Vida no Senhor. E não tem outro jeito de alcança-la senão pela amizade com o Mestre. Mestre é um excelente professor. Professor lembra escola. Misericórdia é o diploma que ganho na faculdade da vida. Uma hora ou outra todos apelarão para a misericórdia. Ou serão julgados sem ela como testenha de defesa.

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