JUNÍPERO: O CHAMADO DA SOMBRA
Posted by Formação Beatitudes in Carisma on agosto 11th, 2009

JUNÍPERO
O chamado da sombra
Ah! se eu tivesse uma plantação de juníperos… talvez, sentir-me-ia bem mais seguro. Ou, ao menos, aliviado. Nunca o tempo presente foi tão necessário para colóquios com Deus, para oração pessoal.
Quando é que, em minha vida, eu pude imaginar que precisaria de uma arvorezinha para chorar e de uma sombra onde eu pudesse falar de mim? O Senhor está levando seus filhos para a sombra de Seu amor. Único lugar onde eu posso falar, chorar, reclamar… e também consolar minha alma, tranqüilizar meu coração, domar a minha mente…
O ser humano estacionou em si mesmo e abismou a própria vida nos sonhos e projetos pessoais - que não ouvem o convite da sombra do junípero. Aliás, alguns de nós nem sabe o que é um junípero, quanto mais se ele faz ou não sombra.
Os juníperos mudam, mas a sombra sempre será a mesma. A mesma Sombra que abraçou Maria e que encobriu a terra no momento da morte de Jesus.
Há muito tempo, um “amigo” chamado Elias* encontrou o seu junípero para encontrar a sombra do Altíssimo. Ele se sentou à sombra da arvorezinha. Ali ele chorou, lamentou-se, mostrou suas dores, sua falta de sorriso, sua tristeza mais profunda. E ali pediu para morrer. E pedir para morrer, é chegar ao limite de tudo. Limite das frustrações, das perdas. É chegar ao máximo, é constatar que está pesado demais.
A coragem de Elias, muitas vezes não é a minha coragem. Sou um bom católico, um excelente cristão mas sou medroso para a fraqueza. A minha coragem não admite mostrar minhas falhas, minhas misérias, minha pequenez, minha insatisfação. Eu sei muito bem reclamar do meu casamento para a amiga do escritório. Sei falar mal das pessoas para meu padre. Sei acusar meus filhos e meus pais. Mas não sei me enfraquecer diante de Deus.
Se alguém perguntasse o porquê destes tempos serem tão sofridos para os cristãos, acho que Deus responderia: “É porque estou chamando meus filhos para Minha Sombra. Às vezes, o limite é o único caminho para meus filhos chegarem até Mim”.
É perturbador saber que é na “Sombra do Senhor” que eu me revelo totalmente. Se Elias vivesse em nosso tempo, certamente estaria em um junípero chamado confessionário.
Passamos a vida por vários juníperos: o da dor da morte de alguém, o da solidão, o da tristeza e da depressão, da derrota, o da mágoa com meu pai e minha mãe, o do fracasso na faculdade, do adultério. Mas em todos eles O Senhor nos convida para falar, para partilhar com Ele nossas dores. Mesmo que seja uma vontade de desistir de tudo e de morrer. Deus quer escutar meus lamentos.
Ah! se a internet nos servisse neste momento como um altar do Santíssimo Sacramento. Sem medo de errar, esta seria nossa sombra mais segura.
Será que após este texto eu ainda não tive a curiosidade de descobrir o que é um junípero?
* I Reis 19, 4-8
ANSIEDADE E PACHORRA
Posted by Formação Beatitudes in Carisma on agosto 3rd, 2009

ANSIEDADE E PACHORRA
As duas pontas de um mesmo problema
Dividir a vida com outras pessoas é um dos maiores desafios em nossos tempos. Há quem diga que passar no vestibular é uma vitória. Ainda acho que conviver com outras pessoas é milagre maior. As relações humanas andam cada vez mais estremecidas. A prova são os casamentos que nem bem começaram, já deixam marcas de finalização.
O desequilíbrio parece tomar conta das pessoas. Os temperamentos são semelhantes a bombas prestes a explodir. E com isso vamos, paulatinamente, tornando-nos escravos da pior cadeia que existe: nós mesmos. Quando fracasso nas relações com as pessoas sou um ser humano fracassado.
Mas também pudera, não é fácil conviver com extremistas. O afobamento e a lentidão são dois extremos de um indivíduo desequilibrado. Longe de querer diagnosticar uma patologia, mas, de fato, conviver com ansiosos ou com “demorados” não é tão gostoso.
Ansiosos não sabem esperar o resultado do “cara ou coroa” e os demorados são surpreendidos pelo ladrão que roubou a moeda, de tanto que eles demoraram a tomar suas decisões.
A ansiedade é um desequilíbrio de quem não sabe esperar e a pachorra um mal de quem não tem diligência. Se o apressado queima a boca com a sopa, o lerdo toma a sopa gelada. E nós sabemos que, quando não há um bom equilíbrio um dos lados sempre sai mais pesado.
Pode-se dizer que o cansaço da esposa é resultado do excesso de futebol na televisão. Sim, claro. Estou tão distraído com o jogo que não percebo que alguém está limpando a pia sozinha. Ah! Mas esta é a “função da mulher”. Então a do homem é ficar sentado descansando. E há quem diga que não existe machismo.
Lembra da menininha, caixa do hipermercado central que leva “hoooras” para passar suas compras? E ainda por cima quando te chama grita pelo seu nome de cliente especial: “próximoooo”.A ansiedade parece que nasce na fila de mercado. Tudo porque tem alguém lento para te atender. E você e eu gastamos todo nosso salário no divã de um psicanalista para, depois de três a seis anos de terapia, descobrir que a cura está nas palavras que não passam: paciência. O dom que salva os ansiosos é o dom da paciência.
Por outro lado, como mostrar a verdade para os lerdos se eles não percebem, muitas vezes, o mal que causam. É horrível se relacionar com uma pessoa que deixa tudo para a última hora. Estas criaturas nunca chegam na hora certa em festas, recepções, missas. E o pior: atrasam os demais. Falta de caridade e pecado: “não roubarás o tempo do seu irmão”. O dom que salvará aqueles que naturalmente não tem a diligência é o dom da observância. Aprender a olhar que o mundo não é seu. É do outro também. Os demorados costumam carregar um fardo chamado “egoísmo”. Se para eles está bom então está para todo mundo. Haja vista que aqueles que levam duas horas para tomarem banho fazem com que os demais membros da família tomem um banho reduzido.
Que choque. Não se trata somente da questão do temperamento mas, de conversão que gera equilíbrio. Ninguém muda por si só. Acreditar nisso é tomar consciência de que está preso em si mesmo.
A pior cadeia é tornar-me refém de mim mesmo. Das minhas idéias. Das minhas vontades. Às vezes, eu me resfrio por causa do frio. Às vezes a gripe me pega porque minha displicência (característica mais acentuada dos lerdos) não me deixou colocar uma blusa mais quente. E muitas vezes eu fico doente devido a minha pachorra, lentidão em perceber que tem mais gente resfriada ao meu redor.
Seria, para os lerdos, esta Palavra: “Estai alerta para que ninguém deixe passar a graça de Deus, e para que não desponte nenhuma planta amarga, capaz de estragar e contaminar a massa inteira…” (Hb. 12,15) e para os ansiosos esta aqui: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt. 6,34 ).
E para nós todos se encaixam as Palavras eternas dizem: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”. (Ecle. 3,1).
Cansa servir a Deus.
Posted by Formação Beatitudes in Carisma on julho 28th, 2009
Não somos anjos. Por mais que algumas canções insistam em afirmar isso. E a Obra que O Senhor faz em cada um não acontece somente em plano espiritual. Ela se desenrola na história humana atingido nossa humanidade por completo. Ainda mais aquele ou aquela que procura servir verdadeiramente ao Senhor.
Todo filho de Deus carrega em si um pouco de Santo Antão, o Santo de Deserto. Chamado o pai de todos os monges, Antão foimarcado em sua vida por um profundo desejo de amar e servir a Deus abdicando-se de coisas que seriam coumuns, desejos e vontades “normais” para viver uma vida de total subserviência.
Contudo, duas características marcam a vida e a história deste grande homem de Deus: ascese e combate. Santo Antão, em certo momento de sua vida, gastava-se muito em combates ferrenhos paradefender a sua fé.
Conta-se que, todas as tardes um leão feroz aproxima-se do acampamento do Santo para provar-lhe a fé. Voraz, queria matar Antão e servir-se de sua carne. O leão não era bobo. Sabia a qualidade da carne de um santo. E o Santo lutava bravamente para desender sua própria vida e seu o local aonde morava.
Em uma bela tarde, após violento combate com o leão, o Antão resolveu que estava muito cansado da mesma luta. O leão não mudava. E fora rezar. Reclamou. Sem medo de Seu Deus perguntou o porque destas lutas tão massantes e desgastantes. Porque sempre a mesma coisa. E pediu para que O Senhor afastasse este combate.
Deus, em Sua imensa bondade e misericórdia concordou com o pobre filho cansado. Viu que realmente Antão tinha razão. Ele estava machucado, ferido profundamente. Generosamente, Deus responde ao Santo: “Ver-te lutar me é tão prazeroso e causa-me tanta felicidade que Eu colocaria eternamante leões em tua vida, só para olhar-te vencendo por amor a Mim”.
“Por amor a Mim”. Que frase fortíssima. Que segredo revelado. Que vitamina para os coprpos cansados de Deus e da Igreja. Que recomposição para aqueles que largaram as monótonas lutas pela felicidade de seus casamentos e de suas famílias. Que novo vigor para os que se cansaram de suas vocações. Que lucro para carismáticos esgotados.
O tempo em que vivêmos é um tempo de excessivo cansaço. Um tempo que se traduz como ranhura, machucado, ferida. E é natural que cheguemos ao “final da tarde” estafados e gritemos ao Senhor: “Chega! Cansei. Fiz tudo o que podia. Preciso parar um pouco”.
Mas a obra não é nossa.A desistência não é opção para quem descobriu que a Graça suplanta tudo. Desistir é o caminho errante. Quando alguém “larga tudo” é porque nunca agarrou a obra como vontade de Deus. Quando alguém “sai” da caminhada na verdade nunca entrou. Aquele que sabe que a obra é do Senhor cansa, estafa, pode até deprimir-se mas vai até o fim.
Mas, “se com tua boca confessares que Jesus é O Senhor” (Rom. 10,9) e que não há discípulo maior que o Mestre, compreenderemos aquilo que fora revelado a Santo Antão. Que “seja qual for o grau em que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente” (Filp. 3,16).
Ou decido desistir ou decido continuar. Uma é decisão humana. A outra, é do Espírito.
Da Orelha aos filhinhos
Posted by Formação Beatitudes in Carisma on julho 6th, 2009

OS “NOVOS FIÉIS”
Posted by Formação Beatitudes in Carisma, Espiritualidade on junho 28th, 2009
LEVANTEM-SE, POIS, OS FIÉIS.
MESMO QUE MACHUCADOS, DOENTES, TRAÍDOS E COM FERIDAS DE MORTE.
Porque, após Sua ressurreição, o Senhor não se mostrou completamente sem feridas, em um corpo intacto, sem machucados, e sim, revelou Sua presença a Tomé através de Sua Chaga? Porque estas feridas estariam ali, em um Corpo ressurreto senão para uma indicação que foram estes sofrimentos que salvaram o mundo. É a mesma pergunta que fazemos: Porque eu sofro tanto se Deus está comigo?
As feridas do Senhor são como “placas” de sinalização com as informações necessárias para chegarmos ao nosso destino final: a eternidade. Sem estes sofrimentos não teríamos um indicativo por onde seguir. Como se viaja em uma rodovia que não tenham placas de sinalização? Será que se Tomé não tocasse a chaga ele permaneceria no caminho de Cristo?
As Escrituras são claras quando afirmam que “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. (Col. 1,24).
Logo, ao que tudo indica, eu também sou responsável em apresentar a Salvação às pessoas. Teria uma relação entre a apresentação das chagas de Cristo a Tomé com a apresentação de nossos machucados para a salvação de alguém? Sim. O Senhor ensinou-nos a salvação de muitas pessoas exige uma oferenda de nós mesmos.
Pelos nossos sofrimentos, em Cristo, temos uma condição misteriosa de resgate e salvamentos de muitas almas. Senão, porque a Escritura diria “Crê você e sua família será salva”? (At. 16,31) senão pela certeza de que, mesmo no sofrimento, almas seriam salvas?
Esta relação de sofrimento com crença é a nova ordem deste século. Não é uma novidade em sua essência, pois, o Senhor já disse isso e sempre reafirma através da Igreja, dos santos e dos profetas destes tempos. Contudo, ela é nova na forma de se viver, nos métodos para se desenvolver e na expressão com que é anunciada.
O Senhor está chamando os “novos fieis”. Aqueles que já se lambuzaram da mentira, da vaidade, da sexualidade errada e querem beber de um Vinho novo e vestir uma nova ropuagem. Deus está convocando os novos fieis de um jeito novo. E a maior característica destes “fieis novos” são suas feridas expostas, machucados, cansaço físico, esgotamento da fé. Eles estão sendo recrutados para serem ofertórios vivos para a salvação do mundo. São os fieis da hora final. São os cristãos nascidos das bodas de Caná. Os fieis medrosos da Barca.
Os novos fieis não praticam atos de heroísmo evangélico. Não estão com Deus por causa de carro, casa, fama ou fortuna. Não ficam gritando pelas ruas chamando a atenção para si mesmos. Mas, são os que trazem em suas vidas chicotadas de velório, facadas de relacionamentos que não deram certo, mágoas de si mesmo por não terem êxito na vida. Que horror. São cristãos estranhos. Doentes, traídos, adulterados, bêbados, mesquinhos, medrosos e frustrados em seus casamentos. São pessoas que normalmente não seriam bem vindos em muitos templos. Mas, que O Senhor está convocando para se levantarem.
Tem muito fiel a Deus jogado na rua. Tem muito fiel a Deus largado em prostíbulo. Existe um grande número de jovens fieis lançados nos calabouços das drogas. Existe um número gritante de fieis a Deus perdidos nos sites pornográficos da Internet. E eles devem ser resgatados e levantados. Soerguidos. E O Senhor os chama como estandartes, para levantarem suas vidas e suas feridas como placa de sinalização. Apresentarem seus machucados pela salvação de suas famílias, dos jovens de sua casa, para a salvação do mundo.
Os “novos fieis” trazem consigo marcas eternas. Dores que não passam, só amenizam na Cruz. Por isso são tão humanos e tão misericordiosos. Só se ganha o diploma da misericórdia através da faculdade do sofrimento. É a ciência da vida.
Por fim, os novos fieis têm seus momentos de flagelo pessoal por onde sua parte “Tomé” avança desafiando fé e muitas vezes, desequilibrando e deixando um rastro devastador. E o mundo, estarrecido, não consegue compreender como estas pessoas ainda não desistiram de Deus depois de tanto sofrimento. É simples: eles não foram feitos com botão de “of”. Eles tem uma mão “colada na chaga” e a outra na humanidade. Deus nunca os abandonará. Sofrem. Sofrem muito. Choram. Sentem-se perdidos, desnorteados. Perdem entes queridos. São traídos. Não entendem nada. Mas, permanecem com Deus até o fim porque conhecem o Seu Pastor, conhecem o Seu Pai. Sabem do futuro que os espera.
Silvinho Zabisky
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